Consumidores da BYD recorrem à Justiça em busca dos veículos prometidos após longas esperas
Compradores dizem que ficaram ‘a ver navios’ após fecharem negócio com a montadora.
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O desejo de adquirir um carro novo está se tornando uma fonte de descontentamento para muitos consumidores brasileiros que optaram pelos veículos da BYD através da venda direta destinada a PCD (Pessoas com Deficiência).
No Brasil, usuários têm relatado longos atrasos, falta de informações precisas e constantes adiamentos na entrega dos carros que já foram pagos, com alguns clientes realizando o pagamento total antecipadamente.
Essa situação tem gerado um aumento significativo nas queixas, processos judiciais e desgaste para a montadora chinesa, que se destacou no mercado automotivo brasileiro nos últimos anos devido ao crescimento dos veículos elétricos e híbridos.
Enquanto as concessionárias responsabilizam a fabricante pelos problemas, os consumidores afirmam que estão enfrentando meses de espera sem respostas claras. Em meio a essa crise, muitos relatam prejuízos financeiros, dificuldades no trabalho e até perda de renda, uma vez que dependem diretamente dos veículos para suas atividades profissionais.
Motorista ficou meses sem trabalhar após vender carro antigo
Um caso emblemático é o da motorista particular Karyne de Freitas, de 48 anos, residente em Cuiabá, Mato Grosso. Ela atua tanto em corridas premium por aplicativo quanto em serviços corporativos e decidiu trocar seu antigo sedan por um modelo mais moderno e econômico.
Karyne optou pelo BYD Song Pro, que foi adquirido com descontos específicos para o público PCD. Com as isenções fiscais, o preço final do SUV híbrido ficou em torno de R$ 147 mil, fazendo da compra uma escolha atrativa.
BYD Song Pro (Foto: Divulgação)
Acreditando na garantia oferecida pela concessionária, Karyne vendeu seu Toyota Corolla anterior e utilizou parte do valor como entrada no financiamento do novo automóvel.
No entanto, o problema surgiu rapidamente. Apesar do financiamento ativo e das parcelas sendo pagas normalmente, o carro não era entregue. A cliente chegou a aceitar alterações na configuração do veículo na esperança de acelerar a entrega, mas os atrasos persistiram.
Sem seu carro antigo para trabalhar e sem receber o novo veículo, Karyne decidiu buscar apoio na Justiça. Depois de vários meses à espera, obteve uma decisão liminar determinando a entrega do carro após aproximadamente 130 dias de espera.
Cliente pagou R$ 160 mil à vista e continua sem veículo
A BYD enfrenta descontentamento entre consumidores devido aos atrasos considerados inaceitáveis (Foto: Shutterstock)
Outro caso notório envolve Gustavo Kaufmann, um servidor público de Brasília. Diagnosticado com esclerose múltipla, ele também utilizou os benefícios disponíveis para PCD ao adquirir um carro da marca chinesa. O modelo escolhido foi o BYD King, comprado à vista por cerca de R$ 160 mil.
A entrega inicial estava marcada para janeiro; no entanto, segundo Gustavo, a concessionária começou a alterar repetidamente essa data sem apresentar soluções concretas. Em certo momento, ele foi informado que o veículo ainda estava a caminho do Brasil e em transporte marítimo vindo da China.
Ainda após novas promessas e até mesmo uma oferta para troca por outro automóvel em cor diferente, a entrega continuou sendo adiada. Nesse intervalo, Gustavo passou a calcular as perdas financeiras decorrentes da situação e decidiu levar o caso à Justiça.
A modalidade PCD é foco dos problemas enfrentados
A maioria das reclamações está centrada na modalidade de venda direta PCD, onde a concessionária atua apenas como intermediária entre cliente e fabricante.
De acordo com relatos dos consumidores, muitas revendedoras citam dificuldades internas ligadas à liberação financeira dos chassis e autorização operacional junto à montadora.
Em algumas situações, vendedores chegaram a admitir que os veículos não podiam ser liberados porque o sistema interno da fabricante ainda não reconhecia os pagamentos realizados pelas concessionárias.
Tais circunstâncias geraram críticas sobre a falta de transparência e comunicação confusa ao longo de todo o processo de aquisição.
Atrasos são comuns em várias partes do Brasil
Embora alguns casos tenham ocorrido em concessionárias específicas, consumidores relataram experiências semelhantes em diversas regiões do país, incluindo estados do Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste.
Dentre as principais reclamações estão:
- Atrasos excessivos na entrega;
- Mudanças constantes nos prazos;
- Respostas insatisfatórias das concessionárias;
- Dificuldades em obter informações concretas;
- Dificuldades no atendimento pós-venda;
- Prejuízos financeiros e problemas profissionais associados.
A rápida ascensão da marca no Brasil também levanta questionamentos sobre sua capacidade logística para atender à demanda crescente observada nos últimos meses.
Posição da BYD sobre os atrasos
A BYD enfrenta uma onda crescente de reclamações devido aos atrasos na entrega dos veículos (Foto: Adobe Stock)
<pQuando abordada sobre as situações apresentadas pelos consumidores, a fabricante BYD afirmou tratar cada caso individualmente e destacou que muitos detalhes estão sendo discutidos apenas judicialmente.
No processo relacionado ao caso de Karyne, os representantes legais da empresa alegaram que não havia previsão contratual específica quanto ao prazo de entrega diretamente pela fabricante. Além disso, classificaram os problemas como questões logísticas e contestaram pedidos de indenização feitos pela consumidora.
Muitos clientes continuam buscando apoio na Justiça para obter seus veículos ou reaver os valores pagos.
Cenário pode prejudicar imagem da BYD no Brasil
Nnos últimos anos, a BYD teve um crescimento considerável no Brasil impulsionado pela popularização dos carros híbridos e pela busca por modelos mais sustentáveis.
No entanto, as recentes histórias sobre atrasos nas vendas PCD começam a afetar negativamente a reputação da montadora entre consumidores que esperavam um serviço mais ágil e eficiente.
Analisando o cenário atual, especialistas apontam que ter transparência nas comunicações e cumprir prazos será fundamental para restaurar a confiança do público neste período crítico para a expansão da marca no país.
